sábado, 14 de fevereiro de 2009

Engenheiros do Hawaí

Muros e Grades


Nas grandes cidades
No pequeno dia-dia
O medo nos leva tudo
Sobretudo a fantasia
Então erguemos muros
Que nos dão a garantia
De que morreremos cheios de uma vida tão vazia
Erguemos muros

Nas grandes cidades
De um país tão violento
Os muros e as grades
Nos protegem de quase tudo
Mas o quase tudo quase sempre é quase nada
E nada nos protege de uma vida sem sentido
É o quase tudo quase sempre é quase nada

Um dia super
Uma noite super
Uma vida superficial
Entre cobras entre as sobras
Da nossa escassez

Um dia super
Uma noite super
uma vida superficial
Entre sombras entre escombros
Da nossa solidez

Nas grandes cidades
De um país tão surreal
Os muros e as grades
Nos protegem de nosso próprio mal

Levamos uma vida
Que não nos leva a nada
Levamos muito tempo
Pra descobrir que não é por aí
Não é por nada não
Não não pode ser
É claro que não é

Meninos de rua
Delírios de ruínas
Violência nua e crua
Verdade clandestina
Delírios de ruínas
Delitos e delícias
Violência travestida faz seu trottoir
Armas de brinquedo medo de brincar
Em anúncios luminosos
Lâminas de barbear

Um dia super
Uma noite super
Uma vida superficial
Entre cobras entre as sobras
Da nossa escassez

Uma voz sublime
Uma palavra sublime
Um discurso subliminar
Entre sombras entre escombros
Da nossa solidez
Viver assim é um absurdo
Como outro qualquer
Como tentar o suicídio
Ou amar uma mulher
É um absurdo


Letra (Humberto Gessinger)









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